VEREADOR DESABAFA: 'A PIOR CÂMARA QUE POMPÉIA JÁ TEVE'
Vereador Lino denuncia a falta de coragem da Câmara de Pompeia e aponta dívida de R$ 2,9 mi da Secretaria de Saúde, que deixa moradores sem medicamentos e exames.
Lino (MDB) não gritou, não discutiu, não se exaltou. Subiu à tribuna, olhou para os colegas e disse o que a cidade inteira já sente: "Estamos diante da pior Câmara Municipal que Pompéia já existiu." Os colegas assistiram calados, como se concordassem.
Ele não disse que os vereadores são burros. Disse algo pior: que falta coragem. Saber o que está errado e ficar quieto é uma escolha. E essa escolha, segundo Paulino, tem sido feita semana após semana, sessão após sessão.
"Vejo Pompéia como o Titanic, de verdade. Uns caçando bote para sobreviver, outros caindo fora e outros tocando violino, achando que a coisa está boa."— Vereador José Paulino Pereira do Carmo (MDB)
Pense na imagem. O navio está afundando. Parte dos vereadores já garantiu o próprio bote: apoio ao prefeito, silêncio estratégico, conveniência política. Outra parte sumiu do debate. E uma terceira finge que está tudo bem, aplaudindo uma gestão que o próprio Tribunal de Contas aponta com rombo de R$ 7,6 milhões.
Enquanto isso, nas unidades de saúde de Pompéia, falta remédio. Falta exame. Falta uniforme. Falta merenda. Sobra incompetência. Não é rumor. É o que o vereador vê quando caminha pela cidade. "Estou vendo meu povo sofrer. Isso dói porque eu não posso fazer nada sozinho."
Sozinho, de fato, não dá. Fiscalização se faz com Câmara. E a Câmara, por enquanto, está ocupada demais com o violino.
Essa situação caótica tem explicação. Uma rápida olhada no Portal da Transparência mostra por que falta remédio, por que faltam exames, por que falta material nos postos de saúde de Pompéia. A Secretaria de Saúde acumula R$ 2,9 milhões em dívidas com fornecedores — medicamentos, material odontológico, material ambulatorial, laboratórios e clínicas de imagem. Sem receber, essas empresas param de fornecer. Simples assim.
Lino disse que acredita na melhora. Mas enquanto a Câmara não agir, quem paga o preço não são os vereadores. É o morador que chega na unidade de saúde e volta para casa sem o remédio.
Fonte: Redação Conexão 294


