Aos 22 anos, estudante de odontologia assume construtora às vésperas de contrato milionário com a Prefeitura

Três dias depois da troca de sócios, a empresa fatura R$ 883 mil em reforma da praça. Pompeia segue sem remédios.

Por Redação Conexão 294

|Política
Aos 22 anos, estudante de odontologia assume construtora às vésperas de contrato milionário com a Prefeitura

Em Pompeia falta remédio no posto de saúde. A cidade reclama disso há meses. A gestão de Diogo Ceschim nunca resolveu. Mas pra reformar a praça Jesus Maria, apareceu dinheiro rápido: R$ 883.450,00.

O contrato foi fechado em 6 de março. Ganhou a empresa Steel Tech Construções Ltda. A proposta dela ficou só R$ 2.033,40 mais barata do que o valor que a própria Prefeitura tinha colocado. Isso é um desconto de 0,3%. Quase nada. Ninguém brigou pelo preço nessa licitação de quase um milhão de reais.

Agora vem a parte estranha. Três dias antes da licitação, no dia 3 de março, a Steel Tech trocou de dono. Saiu Luiz Augusto Pereira dos Santos, que administrava a empresa desde sempre. Entrou, sozinha, dona de 100% da empresa, Luisa Martins Cury, de 22 anos, estudante de odontologia. Na ficha da Junta Comercial de São Paulo, ela nunca tinha assinado nenhum papel da empresa em nome dela, desde 2017. Quem assinava no lugar dela eram seus pais: Daniel Anis Cury e Karina Batistão Martins Cury.

Reparem na conta: três dias. Foi esse o tempo entre a empresa trocar de dono e essa mesma empresa ganhar um contrato de quase R$ 900 mil com a Prefeitura. Não foi um mês antes. Não foi uma semana antes. Foram três dias.

Outro fato curioso é que seus pais Daniel Anis Cury são apoiadores declarados do prefeito Diogo. Isso todo mundo na cidade sabe, e não faltam fotos em redes sociais para comprovar isso.

Ninguém está dizendo que isso é prova de crime. Mas são muitas coincidências juntas, e a Prefeitura precisa explicar. Uma empresa troca de dono três dias antes da licitação. A nova dona, de 22 anos, estudante de odontologia, nunca tinha assinado nada pela empresa antes. As duas pessoas que assinavam no lugar dela têm ligação pública com o grupo do prefeito que manda o pagamento. E a Prefeitura aprovou tudo isso rápido, sem mostrar que checou nada a mais sobre essa troca de última hora.

Isso é o trabalho do jornalismo: não inventar acusação, mas também não fingir que coincidência demais é normal.

Essa obra já virou símbolo de prioridade errada na gestão Diogo. Nesta semana, na Câmara, vereadores criticaram o projeto. E não foi só a oposição. Até aliados do próprio prefeito questionaram, a exemplo do vereador Plínio.

A Prefeitura precisa responder três perguntas, com nome e data. Por que a troca de dono da Steel Tech, três dias antes do contrato, não levou a nenhuma checagem extra? Por que esse contrato andou tão rápido numa gestão que não consegue resolver a falta de remédio há meses? E qual é a relação entre o grupo social de Daniel Anis Cury e Karina Batistão Martins Cury com o prefeito, e o momento exato dessa troca de sócios?

Pompeia merece mais. Merece resposta. Não merece coincidência.

Procurada, a Prefeitura de Pompeia não respondeu até o fechamento desta matéria.

Fonte: Redação Conexão 294

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