Diogo Ceschim recorre à mesma empresa de ônibus que criticou, gastando R$ 260 mil mensais

Após contrato emergencial com empresa de fora, a gestão de Diogo Ceschim voltou a alugar veículos da Circular de Pompeia, elevando a dívida municipal.

Por Redação Conexão 294

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Diogo Ceschim recorre à mesma empresa de ônibus que criticou, gastando R$ 260 mil mensais

ANTIGA CIRCULAR DE VOLTA: Ceschim gastou R$ 260 mil por mês para tirar a empresa, e a crise que ele criou o forçou a contratá-la de novo

Município acumula dívida, serviços param, e a solução encontrada pelo prefeito foi alugar os ônibus da mesma operadora que chamou de sucateada

Há menos de um ano, o prefeito Diogo Ceschim exibia quatro ônibus novos e prometia revolucionar o transporte público de Pompeia. Chamou a operadora histórica da cidade de sucateada. Assinou um contrato milionário sem licitação, batizou o projeto com slogan de rede social, "Pegue o seu Vamu e vem!", e tratou a troca de empresa como vitória de campanha.

No dia 25 de maio de 2026, a Prefeitura realizou pregão para locação de ônibus destinados ao transporte coletivo urbano.

A vencedora foi a Empresa Circular de Pompeia Ltda.

Não foi uma derrota política. Foi uma capitulação financeira. A prefeitura está sem dinheiro. Serviços públicos estão parando. E o modelo de aluguel, o mais barato que a gestão conseguiu montar, foi entregue à mesma empresa que Ceschim gastou meses e milhões tentando substituir.

A promessa

Em junho de 2025, sem licitação e sem estudo técnico, a Prefeitura assinou contrato emergencial com a Transporte Coletivo Grande Marília Ltda., empresa de fora do município. O custo fixo ao erário: R$ 259.100,00 por mês, além da tarifa de R$ 5,00 paga pelo usuário. Em troca, quatro ônibus novos, ar-condicionado, wi-fi, tomada USB, bilhetagem eletrônica.

Para justificar a urgência que dispensava licitação, o prefeito precisava de um vilão. A Circular de Pompeia foi escolhida: frota velha, serviço ruim, era hora de mudar.

O problema é que a Circular operava há mais de 15 anos sem subsídio municipal. E o prefeito, nos sete meses anteriores ao contrato emergencial, havia prorrogado o vínculo com ela por duas vezes.

A conta que não fechou

O contrato foi contestado judicialmente pelo Ministério Público, passou por disputa de liminares e segue respondendo a Ação Civil Pública no juízo local e a representação no Tribunal de Contas do Estado de São Paulo. Ceschim manteve a operação da Grande Marília — mas a R$ 260 mil por mês, retirados dos cofres municipais mês a mês, enquanto a dívida do município crescia.

Esse gasto não existia antes. Foi criado por uma decisão de gestão. E foi empilhado sobre uma prefeitura que hoje não consegue pagar suas contas ordinárias.

A quebra

O quadro fiscal de Pompeia é grave. Dívidas acumuladas, fornecedores sem receber, serviços essenciais com funcionamento comprometido. O rombo não é obra exclusiva do contrato de transporte, mas os R$ 260 mil mensais drenados para uma operação contestada na Justiça compõem o retrato de uma gestão que gastou o que não tinha para entregar o que não precisava.

Quando o dinheiro acabou, a solução foi o modelo mais enxuto possível: em vez de contratar uma empresa para operar o serviço com subsídio público, alugar os veículos e reduzir o compromisso financeiro do município.

O retorno

O pregão do dia 25 tinha um objeto simples: locação de ônibus. Sem promessa de frota zero quilômetro. Sem wi-fi. Sem slogan.

E a empresa que apresentou a proposta vencedora foi a Circular de Pompeia, a mesma que o prefeito havia descrito como símbolo do atraso que sua gestão viria superar.

A Circular não foi humilhada nem vingada. Ela apenas estava lá, como sempre esteve, fazendo o serviço. Quem pagou o preço do circo foi o contribuinte pompeense.

O saldo

Ceschim prometeu modernidade, entregou dívida. Prometeu substituir a Circular, voltou para ela. Prometeu resolver o transporte público, produziu um processo no Tribunal de Contas. E ao final de quase um ano de operação irregular, com a prefeitura sem fôlego financeiro, a solução foi a mais simples e humilhante possível: alugar os ônibus da empresa que ele mesmo escolheu como inimiga.

Pompeia pagou caro para chegar onde já estava. Só que desta vez, mais pobre.

Fonte: Redação Conexão 294

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